Siga-me!

Pirações de uma pretinha.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Banzo




Quando um negro chora, 
A História toda,
Estremece.

Primavera

Vera,
Depois que você foi embora,
As coisas teimaram em florescer.
Nasceu trigo na calçada,
Flores no asfalto,
Violetas na janela,
E beija-flor passou aqui.
Mas tu...
Fostes.

Ponto

Não escrevo conto,
Não tenho o que Contar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Conta

Mais carros,
Mais terras,
Mais roupas,
Mais apartamentos,
Mais calor,
Mais dinheiro,
Mais empregos,
Mais vagas,
Mais calor,
Mais carros.
Mais computadores,
Mais internet,
Mais celulares.
Mais distância.

Menos amor,
Menos atenção,
Menos carinho,
Menos preocupação,
Menos índios,
Menos espaço,
Menos vagas,
Menos poesia,
Menos tolerância,
Menos importância,
Menos filhos,
Menos vida.

domingo, 13 de novembro de 2011

A.



Mariana ficou só.
Não chora mais,
Bebe todos os dias e some.
Mariana mudou.
Ouve Bruno e Marrone e dança pagode.
Mariana ficou só...
Me deixou e mudou.
Nossa amizade dá saudade no verão,
Fico aqui, a saudade, meu peito e Mariana.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A mim nessa vida coube ser dona.
E como eu queria ser ela,
Ser suas coisas, colchas e estantes,
Eu queria estar em cada caixinha de seus armários,
Chanel, Barcelona, Español...
Eu queria e como!
Ser a mulher que me olha agora por cima dos óculos,
Sem nenhum disfarce ser assim mais velha,
Sozinha com tantos.
Muitas.
Eu queria ouvir Caetano na chuva,
Gostaria de ser a interessante Senhora do Jardim,
Com gato, vinho, livros e estante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Curtinhas

Quando se nasce com saudade,
Do que não vivemos,
É chuva.

sábado, 29 de outubro de 2011

Da série cotidianum



Temo pensar em voar. 
E acabar conseguindo... 


Voar é pra nós.

Curtinhas ou Óbvias.

-Existe amor a primeira vista?
-Claro!
-Comprei a saia assim que vi!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Esses olhos,

Tristes olhos,

Espreitando até fora d'alma.

This is it



Quando você ama,
É doce.
É sem culpa.
É brisa.
É mel, é caudaloso, é céu.
Da boca, do ventre, dos olhos.
Quando você ama,
É na rua, na sua,
Na cama.
Na tela, na cela, sela.
No computador, na dor.
Quando você ama,
É pelos olhos, anéis, pelos pêlos.
É língua.
Entre pernas, cabelos, cheiros, novelos.
Quando você ama,
É fogo, gozo, pele.
Quando você ama,
É.
E p(r)onto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inoperância literária

Da angústia de não conseguir escrever nada,
Nasce a saudade das minhas letras,
Das minhas saudades e das comparações.
Quem escreve se acha bom...
Não presto.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Admirável aluno velho-novo ou The Wall.



Do que adianta tanta, 
Teoria, 
Tanta revolução. 

Distribuir liberdades, 
Retóricas, 
Tarefas, 
Texto livre... 
Texto livre?????? 
- Não! :O 
Esse aluno com rédeas, viseira, fone de ouvido, ipod, não pode... 
O que existe são crianças em fila, 
De mesma roupa, franja, tênis. 
Esse semovente joão sem braço. 
O que eles querem é ditadura, regras, número de linhas, tiros 
E boas notas no final.

Linha do tempo

Eu chego chegando,
Nos lugares que me chegam.
Eu chego na hora,
Eu chego no fim,
Eu chego.
Chego no meu tempo,
Chego.
Chego com sutileza,
Eu chego lá,
Eu chego.
Chego no meu momento.
Mas eu chego,
Venho chegando, vamos chegando, chegue. De onde for.
Chega junto,
Chegue também.
Se chegue, chegamos.
Chega,
E foi.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Texto nosso de cada dia

Ler é uma relação de amor que se tem entre olhos e texto.
Mas que texto?
Texto de todo o lugar!
Texto roupa, cabelo, texto nuvem e papel.
Texto letra, texto livro, texto...
Do mesmo jeito que vão variando em variedades várias,
Vem o leitor,

Leitor de banheiro.
Aproveita aqueles momentos de privacidade para dar uma atualizada,
Lê rótulo de sabonete, de shampoo, de condicionador.
Lê geralmente 2 vezes ao dia, mas a depender da constipação demora a comparecer ao espaço latrino-leitor.

Leitor de outdoor,
Sem querer já leu.
Lê sem saber, lê rápido, no sinal ou na caminhada.
Lê sempre.

Leitor de rótulos, como já disse há pouco,
Lê no banheiro, lê no supermercado,
Na farmácia, no motel, no restaurante.
Rótulo de maionese.

Leitor de internet,
Lê rápido, pincelando, escolhendo, sem parar,
Entra no face, entra no blog, entra no twitter,  
Sai lendo...
Pulando de página em página.
Deixa pra ler depois,

Não esqueçamos do leitor de gente,
Lê cabelo,  vestir, Lente de contato, entra ai o leitor de etiqueta,
Leitor de gente, lê caminhado, risada, olhares, unhas e sapatos.
"Menina que usa esse tipo de sapato, boa coisa não é."

Leitor de ônibus, não posso esquecer!
Lê outdoor, busdoor, placas, pessoas, praias, tempo, carros, buzinas e baleiros.
"Pudia tá robano"

Leitor de bula, sabe pra que serve tudo,
Quantas gotas e contra indicações.

Leitor de televisão, na minha opinião,
Só lê porcaria.

Leitor de nível superior incompleto,
Lê sem querer,
Ensaios,
Resumos,
Tratados,
Resenhas,
Apostilas...
Sem querer.
Mas nas férias vira leitor de prazeres, ou não.

O leitor de filmes, repete as cenas quantas vezes quiser ler!
O leitor de músicas é biscoito fino,
Lê cada coisa boa, mas lê sem querer, ouvidos ávidos circulam pelos pagodes, arrochas e firulas então.

O leitor livre, lê no papel, sente o cheiro, lê pulando páginas, quando quer, de noite, madrugada, amanhã, ontem,
Lucinda, Drummond, Barthes, Chiossi, Lispector, Meireles.

Que não morra nunca o leitor,
Fazendo amor com as palavras esse voyeur livre,
Esse Contemporâneo, antigo olheiro das linhas andantes
De todo o lugar!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sangrada saudade

Vai sair de minhas entranhas,
Do tamanho de um longe,
Uma coisa,
Que não gostaria de chamar assim,
Mas imenso,
Puro,
Eterno e para todos,
Sem faltar letras,
Sem matar,
Nem sofrer,
Vai sair,
Vai chegar,
Vai tocar e servir.
Como um filho morto por suas próprias mãos,
Sem sangue,
Gigante,
Amante,
Sufocante,
Choroso
e
Paterno.

Vai sair de minhas entranhas o mais puro e eterno,
Acreditando ser o primeiro e o último,
Pra você e todos,
Feito reggae,
Feito choro de madrugada. Sozinho...
De minhas entranhas,
Todo seu,
Um Amor.

Por que de todas as coisas ele se serve e vai...

Sendo eterno Pai.

sábado, 27 de agosto de 2011

Hierarquia limpa.



Máquina de lavar, 
Eu quero mesmo uma dessas! 
Eu quero a liberação,
Que ela pode me dar. 
Quero passar o dia de outros jeitos, 
Quero mais tempo, 
Pra mim! 
Eu quero uma máquina de lavar! 
Pra passar o dia com livros, 
Política, poemas e sonhos. 
Eu quero uma máquina de lavar, 
Eu quero hierarquia com os pratos! 
Uma máquina de lavar pratos! 
Mulheeer, tu já pensou? 



Pois então, 



















PENSE. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

De Cotas.

Ouvi dizer:

“Você vai tirar a minha vaga na universidade, vai tirar a minha vaga no emprego e ainda vai sentar na sala ao meu lado?”
Tirei!
E como diria minha sábia Mãe:
 - Tirei e tiro!
Tirei por que cansei.
Cansei de perder a vaga.
Cansei de perder a história.
Cansei de perder a estima.
Cansei de perder a família.
Cansei de perder por perder.
Cansei de perder noites.
Cansei de perder.
Cansei!
E entre perder e tirar,
Prefiro tirar.
Tirar o dia pra vencer.
Eu quero o texto,
Quero a vaga,
Quero o emprego
O espaço.
Eu quero!
Quero o seu conhecimento pra criar outras coisas.
Eu quero o poder que é bom e eu gosto.
Quero mesmo e daí?Eu quero tirar a vaga do descaso.
Eu quero tudo que você também quer...
Eu quero a minha cor nesta sala
E em outras salas.
E a mulher pergunta:
- Mas qual o problema das cotas?
Não é só a cota minha querida, mas a cor dessas cotas.
O penacho e o cocá que esta cota trás na cabeça.
Eu quero.
Você quer.
Vâmo lá buscar?

domingo, 14 de agosto de 2011

Elegia a mim mesma e a mais dois.

Dizem que quando se vai morrer,
A vida passa pelos olhos em segundos.
Não!
Não é bem assim.
Passam as alegrias, a tristeza, os amigos, os amores, a família e o medo.
Esse, passa sempre.
Em câmara lenta, esmiuçando todos os detalhes do momento.
E você pensa: E se morresse? E se vivesse? E se...?
Os gestos, os movimentos, a vida não faz sentido diante da morte,
O que existe é a sua soberania diante de corpos que por mais fortes que sejam,
Frágeis.
Um vai e vem de braços, pernas e mentes.
Nenhum grito,
Que é pra parecer forte,
O corpo treme sem controle,
O queixo rijo,
Os olhos cozidos...
Dentro de uma realidade que parece ter esvaído com a chuva e o retrovisor.
Os ouvidos mudos e surdos,
Os dedos e as dores somem.
Confusas, as vozes são verdadeiras rochas estremecidas na madrugada, sem postos de parada ou arregos,
E só depois se percebe que a vida ainda está ali,
Pronta pra se dar,
Então não morra.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aquilo que volta todo ano...






Por que a gente gosta de aniversário?
Deve ser por que todo mundo lembra de você, 
Te traz presentes, quase todo mundo. 
Quer te dar abraços, 
Quer ser seu amigo íntimo, pra beliscar um bolo... 
Lembrei que nesse dia, 
Toda a família se junta pra um almoço, 
Que te faz sentir importante.

Aos 10, tive uma festa completa, 
Sem meu Pai e minha Mãe. 
Aos 15 uma doce ilusão de que teria um baile, 
Aos 18 a leve esperança de sair de casa,
Aos 20 o louco devaneio de que seria independente. 

Depois de um tempo, você começa a perceber que nem todo mundo lembra. 
Que a data se aproxima e te deixa meio down, 
Você não ganha mais tantos presentes
Nem pessoas, nem bens... 


Depois de um tempo, você começa a perceber que, 
A cada ano nesta data você não conta o que ganhou, 
Mas o que fez, o que falta, o que teria... 

Por que a gente não gosta de aniversário? 
Deve ser por que as pessoas não se lembram da data como você gostaria, 
Você não ganha tantos bombons e abraços, 
O seu dia não faz diferença na vida das pessoas como sua Mãe fez você acreditar. 
Você não é a Branca de Neve, o Super Man ou a Moranguinho... 

Aquilo que volta todos os anos, é isso aniversário...  
A data em que você acorda e pensa: É hoje. 
É hoje o dia de dormir até tarde, comer o quanto quiser, gastar comigo mesmo, encontrar os amigos, beber até cair, dançar até morrer e ouvir: Felicidades! 
E acreditar. 

Esse é o dia em que nos sentimos importantes, mas pra quem? 

Todo dia quando o sol nasce, é dia. 
É aniversário de alguém, de alguma coisa... Comemore! 

Aniversário. 
De hoje em diante, quando chegar o meu dia, eu vou ser feliz. 
Vou me auto-festejar! 
Vou lembrar dos aniversários que virão! 

Os que foram, foram... 

Vou comemorar comigo e com aqueles que quiserem e lembrarem, 
Com a ajuda do facebook, eu sei, 

apaga a vela. 


sábado, 23 de julho de 2011

Quem nunca...?

Dedos choram sozinhos no toque do teclado,
O mouse desliza por sobre o pad,
Azeitona, vinho e soul.
Lá fora, é barulho de chuva,
De gente, de tudo.
Aqui, bate um coração saudoso,
Que se pergunta rapidamente,
Quem nunca chorou diante de uma tela?
Seja ela qual for.
Guernica, tela de computador, tela da vida.
Esta é uma tristeza bendita,
Finda.
Acaba, então.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bastard


Deus é Pai. 
Mas eu sou Mãe, 
Sou liquida, fluida, corrente, 
Eu sou sertão, aldeia. 
Mar e imensidão, 
Deus é Pai. 
Mas eu sou casa, 
Barriga, e mão. 
Deus é Pai. 
E eu sou gay, 
Sou formiga, vidro e cordão. 
Deus é Pai. 
Mas eu sou Outro, 
menina, menino,
banheiro, escada, 
vasoura, fogão, 
vaselina, gozo, 
mão. 
Deus é Pai. 
Eu sou Deusa... 
Deus é Pai. 
E eu sou Mãe, sou Filha, Pagu, Leila Diniz, Rita Lee, Noca, Roberta Close, João, Dicesar, Maria Bonita, Lourdes,
Ariadna e Jeane. 
É... Deus é Pai. 
Mas também foi filho da Mãe! 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

SORTEIO PARTICIPEM!!!!!!!!!

http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fmovidarts.blogspot.com%2F2011%2F07%2Fsorteio-tricotando-vida-com-movida-arts.html%3Fspref%3Dfb&h=-AQA9ygDF

terça-feira, 5 de julho de 2011

Prisão em citação...

Liberdade (Carlos Drummond de Andrade)


O pássaro é livre na prisão do ar.
O espírito é livre na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dali




O tempo é a briga do relógio com ele mesmo.
É lama derretendo nos porões de onde não devia,
É mulher pedindo e mulher negando.
O tempo é música para aqueles ouvidos,
É Mãe, é Pai, é morte.
É dele mesmo, o tempo.
O tempo é você esquecendo das coisas,
Sou eu amando,
Ele correndo,
Você morrendo. 
" O tempo é a parte de dentro da rolha de um vinho antes de aberto."
O tempo é tudo que eu não tenho.
O que ainda vou ter
E que vão me dar.

Vai doendo poesia, enquanto pode.

A poesia dói tanto em mim
que chega a cortar
e dói no dedo, no coração,
vai doendo... poesia doída, condoída e sem dó.
poesia é pra voar e voando derruba altar,
mói que nem moenda,
corrói que nem bichão,
mas deixa poesia, que dou teu lugar.

Light-Diet



Tônus muscular,
Celulite e estria. 
Cílios postiços, 
Unhas postiças, 
Peitos, cabelos, magreza e namorado postiço. 
O bumbum empinado é meu!
Afinal paguei! 
Renew, Chronos, lifting, pilling, botox. 
Bota botox, bota botox, bota botox, bota! 
Minha vida, eterna correria.
Pela manhã e a noite, 
Que é pra não facilitar. 
Uma folha de alface, 
Um biscoito light, 
E água diet, completa com chá verde,
Que é pra colaborar! 
Aperta a cinta, 
Vai malhar! 
Ouvi dizer que tem 40cm a porta do céu, 
Falta pouco, 
Pra conseguir entrar nesta calça, 
E também no paraíso. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Para um psiquiatra partindo.

Olha, não é que eu esteja sentindo a tua falta, mas dos remédios sentirei... Eu sei que faltei muitas vezes, mas tive meus motivos, você melhor do que ninguém deveria saber... E tem também todas as coisas que eu estava programando pra te contar, e tem as coisas boas que aconteceram nessa última semana, espera. Não vai assim sem olhar pra trás. Não, eu não quero morar em você e nem viver de ti, mas eu preciso, olha... Escuta. Não eu não vou aguentar esses carros e essas gentes dentro da minha cabeça. Eu sei que deveria ter te ouvido mais, mas é coisa de terapia, de gente doida, de remédios e a falta deles... É eu me apeguei. É... coisa de terapia. E tem todas as coisas que construí e que preciso lhe contar pra alguém de linha freudiana. Não, não faz assim. É, eu estou sem dormir há uns dias, mas olha. Não, eu não sei. Certo, ok. É que...
Só queria mais uns dez conselhos.


Flores de metal, 
foram as que vi, 
e cheiravam a 
frio.

True colors




Ah, que eu vi uma paixão nesse peito, 
E era grande, 
Era ardida, 
Era intensa e imensa, com rimas. 
Completa como uma música de Phil Collins. 
Uma paixão que quando você respira fundo, 
Ela cresce e cresce com olhos e olhares.
Ah, que ela viveu aqui e mora agora,
Nesse peito com teus sotaques e toques.
Ela mora no meu peito, 
Tem lugar desde sempre.
Eita, que essa paixão me mata toda manhã em que vivo dela.


Essa paixão. 
Beautiful Like a rainbow..
E eu suspiro, e ela cresce,
E eu respiro e ela amanhece.
Assim paixão, repentina, repetida e agreste. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cecília também não tinha...

Eu não tinha esses olhos cansados, 
Não tinha estrias,
Nem celulites, 
Não tinha pontas duplas, 
Nem triplas! 
Eu não tinha um leve caimento peitoral, 
Não, não tinha. 
Eu não tinha marcas marcadas de espinhas, cravos e comedões. 
Eu nem sabia o que eram comedões! 
Eu não tinha problema com roupa 34, 36 mas 38? 
Eu tinha miopia, agora tenho hipermetropia... 
Eu usava bata por que era confortável, hoje... 


Eu não tinha creme para as unhas, para as costas das mãos, para a palma delas. 
Eu não tinha creme para o dia, para a noite, para dias de sol, dias sem sol, 
Creme para os pés, para as pernas, para a bunda, o peito e os joelhos. 
Eu não tinha creme para a área dos olhos, para a zona T, que eu nem sabia que Tinha! 
Eu não tinha creme para cabelos crespos, armados, rebeldes, indomáveis e muito menos com frizz. 
Eu não tinha creme para os cotovelos, creme pré e pós sol. 
E nem tinha pílulas para dormir, para acordar e para viver... 
Eu não tinha! 
E também não tirava foto pensando na legenda, nem me maquiava pra ir comprar pão... 
Eu não. 
Hoje os tempos são outros, 
Eu tenho esmalte da cor do meu humor, tenho status diário e tenho chapinha, 
Além de ter celular que calcula meu período fértil e me avisa do aniversário de namoro... 
Eu tenho um porta retrato digital, um gato que é gata, uma tia que tem facebook,  
E todo dia antes de dormir minha Mãe me diz "Eu te Amo", 
Por sms.
E você queria o quê? 

sábado, 25 de junho de 2011

Dicionário, nonsense para estudantes de Letras.

Dicionário: Dizer muita coisa ao mesmo tempo.
Gramática: Ciência que estuda o desenvolvimento da grama.
Linguística: Ciência que explica o roçar de línguas.
Psicolinguística: Ciência que explica a língua dos loucos.
Neurolinguística: Ciência que explica a língua do coração.
Sociolinguística: Ciência que explica a língua de sociopatas.
Linguagem: Conversa entre línguas.
ABNT: Álbum de Bobagens Normativas Temporárias.
Fonologia: Estuda o barulho das businas.
Preconceito linguístico: Ato de pré conceber algo sobre a língua do outro.
Prosódia: Bater um papo.
Prosopopéia: Prosa muito comprida.
Morfologia: Ciência que estuda línguas velhas, mofadas.
Pragmática: Estuda eventuais ataques de pragas.
Afasia: Doença que deixa a pessoa sem querer fazer muita coisa.
Sintaxe: Ciência que estuda a língua de taxistas.
Semântica: Trata do sêmen da palavra.
Fonética: Trata da ética do falante.
Chomsky: Onomatopeia para representar barulho de mordida em biscoito.
Saussure: Salsinha em francês.
Variação Linguística: Ato de experimentar mais de uma língua.
Diatópica: Quando é dia em algum determinado local.
Diacrítico: Dia crítico (auto-explicativo).
Diastrático: Dia desastroso.
Crioulo: Mestiço.
Pidgin: Abreviação para pedinte.
Deriva: Se diz da língua solta.
Esquizofrenia linguística: Doença de gramático.
Saco de léxico: Escolha qualquer palavra e fale!
Literatura de auto-ajuda gramatical: Livros do Pasquale.
Pílulas de Sabedoria Gramatical: Isso é certo! Isso é errado!
Terminologia: Ciência que trata do fim das línguas.

E chega de besteira.

Sou eu quem não sabe o que é melhor

Sou eu quem diz:
Quando todas as portas disseram-me, NÃO! 

"Conhece a ti mesmo" 

Todas as respostas e perguntas e caminhos e nãos e sims estavam aqui, 
Bem dentro de onde eu pensei em procurar. 

"Quando tudo está perdido sempre existe um caminho..." 

Os caminhos que me levam a mim, bem redundantemente assim. 
As respostas estão dentro de você, 
Para o que se quer fazer 
E o que não se quer pra si. 
Cansei de perguntar a terapeutas, amigos, ao google e ao espelho. 
Quem sou eu?
O que fazer agora? 
Os livros que compro estão emaranhados na prateleira interior, 
Os filmes que gosto também, 
As pessoas, os dias, as oportunidades.
Esses comprimidos me comprimem... 
E Não, eu não quero mais ter quem me dizer o que
Eu quero ser. 
Parar de me justificar em doenças e atrasos. 
Deixar de mentir pra quem é pior.
Eu minto a mim mesma pra não me envergonhar de meus olhos averiguando, questionando coisas; 
Até quando... O tempo não é de ninguém, é dele mesmo
A gente faz o que tem que ser feito, 
A gente faz... Hoje, o que é de hoje. 
Por que quem nasce pra secretária nunca chega a digitadora
Datilógrafa. Macabéa. 
A minha hora de estrela chegou e quem diz isso, 
Sou eu. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

If I...


Se eu corresse todos os dias como prometi,
Se eu comesse menos purê de batatas,
Se eu bebesse menos refrigerante,
Se eu acordasse todos os dias as 06:00 da manhã,
Se eu fizesse todos os meus exames ginecológicos,
Se eu fosse sempre à terapia,
Se eu ligasse pra quem prometi,
Se eu fosse toda vez que digo, sim
Se cumprisse tudo que prometi,
Se a dieta começasse mesmo na segunda,
Se "só mais um", fosse mesmo só um,
Se eu não pensasse o que digo que penso,
Se eu lesse todos os livros que quero e compro,
Se eu comprasse,
Se eu pagasse,
Se eu matasse,
Se eu sorrisse...
Se eu olhasse e visse.
Se você disesse tudo o que pensa da gente,
Se eu pagasse toda vez que digo que vou,
Se eu ouvisse toda vez que digo, que já vou,
Se eu não...
Se eu sim...
Se eu.
Se sua Mãe,
Se você cumprisse, se você amasse, se você metesse, se você gastasse, se você fosse... José.
Se todo virginiano, leonino, gatuno fizesse tudo que diz,
As coisas não seriam como são e eu...

E você? ...
Seria?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Desaforo nada poético




Pra quem deixa cocô de cachorro na rua, 
Pra quem joga lixo pela janela do ônibus, 
Pra quem deixa luz acesa a noite toda, 
Pra quem usa a função stand by, 
Pra quem deixa torneira pigando, 
Pra quem joga lixo em bueiro, 
Pra quem não recicla porra nenhuma, 
Pra quem não tá nem ai... 

E para aqueles que gritam para pedir silêncio, 
Para aqueles que não fazem a parte do outro nem a sua, 
Para aqueles que rezam agora e desejam mal depois, 
Para aqueles que não ensinam nada, 
Para aqueles que maltratam animais e pessoas. 

Também para aqueles que são racistas, 
Para aqueles que são preconceituosos,
Para aqueles que não toleram gays,
Nem nordestinos,
Nem paulistas,
Nem cearenses,

Para aqueles que não respeitam idosos,
Nem cobradores de ônibus, 
Nem professores, 
Nem o seu País, 
Nem a educação, 
Nem o patrimônio público e muito menos o privado. 

Para aqueles que não acreditam em nada, 
Para aqueles que não mudam muita coisa, 
Para aqueles que não fazem falta, 
Para aqueles que fingem amar, 
Para aqueles que espancam crianças, 
Para aqueles que não se importam com a África, com o Haiti, com a Amazônia, com a Camada de Ozônio, com a Água...
Para aqueles que não conhecem seus deveres, seus direitos, suas vontades, seus medos e dores. 

E ainda para aqueles que não leem, 
para aqueles que não olham no olho,
para aqueles que não ouvem,
para aqueles que não dizem eu te amo, 
nem por favor, 
nem obrigada, 
nem com licença,
e boa noite, 
para aqueles que nem se quer falam, com as mãos, com os olhos ou o coração. 

Para você que não usa o fone,
Pra você que não dá notícias,
Que vive no computador,
Pra você que tortura, 
Que não vive, 
Não sente,

E para Mim. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Só uma

Uma saudade...
Daquelas que te põe óculos de tristeza na face,
Deixando-nos o dia cinza, cor de nada.
Uma vontade de mirar tua existência e ver arder no olho a luz de tuas retinas como espelho.
Uma saudade, uma não!
Muitas, saudades, essas.
Uma saudade cor de laranja e pêssego que é pra deixar sincero.
Como cheiro de jaca.
Sincero...
Uma saudade dessas que a gente sente e fala com os olhos, cabelos e beats.
E vem batendo como uma finca grega, esculpindo a estátua dos dias,
Assim passando.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Gosto!

Eu gosto de cada dobra do meu cabelo.
De cada meladinha da minha melanina.
Eu gosto do buraco que fura meu nariz.
Gosto!
Assim arregaçado!
Eu gosto da indomabilidade dos meus indomáveis cachos rebeldes, como eu.
Eu Gosto!
Vou gritando pelos quartos e cinturas dessa vida.
Eu gosto de mim meio você.
Eu gosto de ser assim.
Meio inteira,
Toda preta,
Toda texto.
Pra você ler!

Tristeza de Busú.

De todo o resto que se foi,
O que ficou foi silêncio.
Foram teus olhos pedindo perdão e socorro.
Na interminável distância dos dias,
Na insustentável leveza de si,
Das pessoas, dos dedos e das mãos,
Sobram teu cheiro.
E tua meiguice,
Teus cabelos,
E nós.
Te desejo e tanto,
E essa angústia?
Que me faz encher um peito,
De vazios, frios e saudades.
E não gosto do frio,
Que é onde sinto teus dedos,
Tocando-me a nuca,
Dizendo-me numa voz seca
E distante...
Adeus
E estás só.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Just do it


Existem coisas na vida, 
Nessas e em outra, 
Que devem ser feitas, sem respirar, 
Sem respirar pra que não se perca nada. 
Eu hoje fechei os olhos e perdi de tudo,
De tudo um pouco. 

Enquanto eu fecho os olhos,
Tantos vem e vão,
Abelha, carros, sertão,
Quantas pessoas morrem enquanto você dorme... 
Quantas oportunidades são moídas, enquanto você some. 

Quantas?


Não pare pra contar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tenha medo



Eu pensei em escrever um monte de gritos, 
De colocar em caixa alta toda a minha angústia, 
Letras garrafais de indignação e medo. 
Assumo aqui, 
Tenho medo do racismo, de racista, do olhar deles, 
Do riso entre dentes, amarelo, 
Eu assumo em público e gritando, 
Eu tenho medo de racista!
Tenho mesmo... 
Tenho medo de como eles nos aturam, 
De como nos estilizam, 
E tenho medo de como eles explodem com o nosso estilo.
Vim aqui para dizer desse medo, 
Medo de racismo velado, sem cara.
Quero explicar que tenho medo dos racistas camuflosos,
Os de Rio de Contas que beliscam, 
Racistas! 
E eu tenho medo, do medo que o racista tem, 
Medo de perder um lugar, uma situação... 
Mas mesmo assim, tô aqui para provocar!
Provocar o caos re modelativo das coisas. 
Disso não tenho medo, 
Tenho medo de talvez ficar no mesmo lugar, mesma cara.
Não darei nunca minha cara a tapa pra esses umbigos, 
Não darei. 
Tenho medo de ficar no mesmo, esse lugar. 
Um pouco de medo... 

Minha Mãe me ensinou, 
Que o bicho que mora  de baixo da cama, não pega. 
O bicho? Pega!
Olhei na cara do bicho,
E dei o maior tapa de todos.  
Olhei no fundo dos olhos dele, 

"Olhe esta neguinha." 

E tenha medo... 




terça-feira, 26 de abril de 2011

Ensaio sobre uma cegueira.




No dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Perdeu-se também metade do meu mundo. 
E apareceram então meias, 
Meias flores, meias cores, meias palavras, meios ardores. 
Esse mundo então ficou meio cinza, 
Ou preto, nem sei, 
Só sei que esse dia ficou então marcado. 
Como o dia branco, da mais neutra escuridão.
O dia negro. 
No dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Ficaram tolos todos os gestos, as lágrimas, os tons. 
Minha Mãe, braços estendidos, mãos a "ver" em minha direção... 
Seu toque grosso, endurecido, de quem nunca houvera, se quer uma vez visto com elas.
Meus olhos, que viam bem, no dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Ficaram cegos de amor.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tiros em "Columbine"





Depois de um dia de tiros, sangue e dor,
O que se pensa,
é ódio, fogo, inferno eterno...

Depois de anos de dor e sofrimento,
O que se enxerga é além do bem,
A frente do mal.

Depois de asas, anjos, demônios e caixões,
O que queremos é pureza, a certeza de que punições cheguem.

Depois de tanto nos observar,
A Vida,
pede perdão,
paz
e Amor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Biutiful.



Beleza, é ainda...
Um avião que finge,
Na distância,
Deveras,
Ser estrela.

domingo, 20 de março de 2011





Por onde andará a saudade,que um dia plantei em ti? ...
Ando com saudade de ti, 
Ando. 
Ando meio sem rumo sem tuas botas,
Ando.
Ando muito difícil sem teus nomes e blocos e dons.
Ando.
Ando meio aluna, meio mulher, meio vida.
Sem ti.
Ando meio borboleta doce, meio professora desamparada, meio.
Quase.
Cadê a fada Mara, a mutante Li, a Ana Eli, a non sense que traz meu senso.
Ando meio metade, procurando os restos que tu um dia deixastes nestas retinas apaixonadas de ti.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diretriz

Eu, aqui?
Escrevo PRETO.
E você?
Lê se quiser...

A Saudade

"A saudade é um filme sem cor, que meu coração quer ver colorido."
"A saudade é uma colcha velha que cobriu um dia numa noite fria, nosso amor em brasa."

A minha saudade de você é doce,
Dói que nem mel no melão.
É perfume seu no cheiro meu.
A sua saudade me corta a carne toda vez que é manhã,
Nessa visita corriqueira que ela faz
e dói.

Near

Meu amor não vá tão longe, 
Longe onde meus olhos não sintam os teus, 
Não vá tão longe onde eu não sinta teu cheiro e tudo. 
Não vá, meu Bem, tão longe,
Que eu não possa te acompanhar,
Não mais que um sorriso. 
Não vá tão longe onde o meu Amor não te alcance,
Saudoso do nosso perto.

Não vá,
Longe.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pergunta: Todo mundo é meio branco?

E afinal,
Ao final,
Quem de verdade é branco?
Se o cabelo faz a volta nos anéis de cada dedo,
Se o nariz faz o achato ou o buraco é mais embaixo.

"Na Bahia escapou de negro é branco"

"Nos EUA quem tem uma gota de sangue negro, é negro"

"E quem não tem, no Brasil, ao menos um pé na Senzala?"

"Onde tu guarda o preconceito?"

"Um negro rico vira branco?"

"Quanto vale um branco pobre?"

"Quanto vale um negro rico?"

Repare em seus cachos, repare em seu nariz, lábios e no que diz...
Quem foi sua avó, sua bisavó, seu pai?
Você aguentaria ser negro por um dia, sem dizer um ai?

Todo mundo é meio branco?
Quem é preto no Brasil?

Né por nada não,
mas segurança de shopping,
não tem essa dúvida...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Good hair!



Faça um teste. Orkut, comunidades, "cabelo ruim".
Depois me diz o que foi encontrar...

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-Prende esse cabelo,
-Alisa esse cabelo,
-Corta esse cabelo,
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-Cabelo de preto quando não tá preso, tá armado.
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.Shampoo para cabelos rebeldes
.Shampoo para cabelos difíceis de pentear
.Shampoo para cabelos indomáveis
.Shampoo para cabelos armados
.Shampoo para cabelos danificados
.Shampoo para cabelos indisciplinados

.Shampoo para cabelo ruim?


Alguém já viu na prateleira de algum supermercado um rótulo assim?

Sinceramente, o que foi que o meu cabelo lhe fez?
Pra ser chamado assim?
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A partir de hoje, sou o Zé Pequeno do Cidade de Deus.

Cabelo ruim, é o caralho!





terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A negrura da minha pele,
O pretume da minha noite,
Estarão comigo pro resto da vida, lembrando-me sempre de onde eu vim...


E ainda bem.

Falta

Cansada do racismo.



Cansada demais, para descrever tanta...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Na Dúvida




Um preto triste,
É só um preto triste.

Um preto dormindo na rua,
É só um preto dormindo na rua.

Um preto pobre,
É só um preto pobre.

Um preto morrendo,
É só um preto morrendo.

Um preto chorando,
É só um preto chorando.

Um preto, É só um preto.

Será?

sábado, 15 de janeiro de 2011






Esse barulho das ondas do Mar,
É só um estrondoso,


                                                                       Pedido de socorro.

Fino Reveillon

E o Mar chorou,
Quando a latinha de Skol,
O copo descartável,
E o chinelo Havaianas,


Desejaram-lhe (des poluído) feliz ano novo...

Teoria e não Prática

As belas palavras que saem de tua boca,
São feias atitudes que pintam um horrendo quadro.