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Pirações de uma pretinha.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Admirável aluno velho-novo ou The Wall.



Do que adianta tanta, 
Teoria, 
Tanta revolução. 

Distribuir liberdades, 
Retóricas, 
Tarefas, 
Texto livre... 
Texto livre?????? 
- Não! :O 
Esse aluno com rédeas, viseira, fone de ouvido, ipod, não pode... 
O que existe são crianças em fila, 
De mesma roupa, franja, tênis. 
Esse semovente joão sem braço. 
O que eles querem é ditadura, regras, número de linhas, tiros 
E boas notas no final.

Linha do tempo

Eu chego chegando,
Nos lugares que me chegam.
Eu chego na hora,
Eu chego no fim,
Eu chego.
Chego no meu tempo,
Chego.
Chego com sutileza,
Eu chego lá,
Eu chego.
Chego no meu momento.
Mas eu chego,
Venho chegando, vamos chegando, chegue. De onde for.
Chega junto,
Chegue também.
Se chegue, chegamos.
Chega,
E foi.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Texto nosso de cada dia

Ler é uma relação de amor que se tem entre olhos e texto.
Mas que texto?
Texto de todo o lugar!
Texto roupa, cabelo, texto nuvem e papel.
Texto letra, texto livro, texto...
Do mesmo jeito que vão variando em variedades várias,
Vem o leitor,

Leitor de banheiro.
Aproveita aqueles momentos de privacidade para dar uma atualizada,
Lê rótulo de sabonete, de shampoo, de condicionador.
Lê geralmente 2 vezes ao dia, mas a depender da constipação demora a comparecer ao espaço latrino-leitor.

Leitor de outdoor,
Sem querer já leu.
Lê sem saber, lê rápido, no sinal ou na caminhada.
Lê sempre.

Leitor de rótulos, como já disse há pouco,
Lê no banheiro, lê no supermercado,
Na farmácia, no motel, no restaurante.
Rótulo de maionese.

Leitor de internet,
Lê rápido, pincelando, escolhendo, sem parar,
Entra no face, entra no blog, entra no twitter,  
Sai lendo...
Pulando de página em página.
Deixa pra ler depois,

Não esqueçamos do leitor de gente,
Lê cabelo,  vestir, Lente de contato, entra ai o leitor de etiqueta,
Leitor de gente, lê caminhado, risada, olhares, unhas e sapatos.
"Menina que usa esse tipo de sapato, boa coisa não é."

Leitor de ônibus, não posso esquecer!
Lê outdoor, busdoor, placas, pessoas, praias, tempo, carros, buzinas e baleiros.
"Pudia tá robano"

Leitor de bula, sabe pra que serve tudo,
Quantas gotas e contra indicações.

Leitor de televisão, na minha opinião,
Só lê porcaria.

Leitor de nível superior incompleto,
Lê sem querer,
Ensaios,
Resumos,
Tratados,
Resenhas,
Apostilas...
Sem querer.
Mas nas férias vira leitor de prazeres, ou não.

O leitor de filmes, repete as cenas quantas vezes quiser ler!
O leitor de músicas é biscoito fino,
Lê cada coisa boa, mas lê sem querer, ouvidos ávidos circulam pelos pagodes, arrochas e firulas então.

O leitor livre, lê no papel, sente o cheiro, lê pulando páginas, quando quer, de noite, madrugada, amanhã, ontem,
Lucinda, Drummond, Barthes, Chiossi, Lispector, Meireles.

Que não morra nunca o leitor,
Fazendo amor com as palavras esse voyeur livre,
Esse Contemporâneo, antigo olheiro das linhas andantes
De todo o lugar!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sangrada saudade

Vai sair de minhas entranhas,
Do tamanho de um longe,
Uma coisa,
Que não gostaria de chamar assim,
Mas imenso,
Puro,
Eterno e para todos,
Sem faltar letras,
Sem matar,
Nem sofrer,
Vai sair,
Vai chegar,
Vai tocar e servir.
Como um filho morto por suas próprias mãos,
Sem sangue,
Gigante,
Amante,
Sufocante,
Choroso
e
Paterno.

Vai sair de minhas entranhas o mais puro e eterno,
Acreditando ser o primeiro e o último,
Pra você e todos,
Feito reggae,
Feito choro de madrugada. Sozinho...
De minhas entranhas,
Todo seu,
Um Amor.

Por que de todas as coisas ele se serve e vai...

Sendo eterno Pai.

sábado, 27 de agosto de 2011

Hierarquia limpa.



Máquina de lavar, 
Eu quero mesmo uma dessas! 
Eu quero a liberação,
Que ela pode me dar. 
Quero passar o dia de outros jeitos, 
Quero mais tempo, 
Pra mim! 
Eu quero uma máquina de lavar! 
Pra passar o dia com livros, 
Política, poemas e sonhos. 
Eu quero uma máquina de lavar, 
Eu quero hierarquia com os pratos! 
Uma máquina de lavar pratos! 
Mulheeer, tu já pensou? 



Pois então, 



















PENSE. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

De Cotas.

Ouvi dizer:

“Você vai tirar a minha vaga na universidade, vai tirar a minha vaga no emprego e ainda vai sentar na sala ao meu lado?”
Tirei!
E como diria minha sábia Mãe:
 - Tirei e tiro!
Tirei por que cansei.
Cansei de perder a vaga.
Cansei de perder a história.
Cansei de perder a estima.
Cansei de perder a família.
Cansei de perder por perder.
Cansei de perder noites.
Cansei de perder.
Cansei!
E entre perder e tirar,
Prefiro tirar.
Tirar o dia pra vencer.
Eu quero o texto,
Quero a vaga,
Quero o emprego
O espaço.
Eu quero!
Quero o seu conhecimento pra criar outras coisas.
Eu quero o poder que é bom e eu gosto.
Quero mesmo e daí?Eu quero tirar a vaga do descaso.
Eu quero tudo que você também quer...
Eu quero a minha cor nesta sala
E em outras salas.
E a mulher pergunta:
- Mas qual o problema das cotas?
Não é só a cota minha querida, mas a cor dessas cotas.
O penacho e o cocá que esta cota trás na cabeça.
Eu quero.
Você quer.
Vâmo lá buscar?

domingo, 14 de agosto de 2011

Elegia a mim mesma e a mais dois.

Dizem que quando se vai morrer,
A vida passa pelos olhos em segundos.
Não!
Não é bem assim.
Passam as alegrias, a tristeza, os amigos, os amores, a família e o medo.
Esse, passa sempre.
Em câmara lenta, esmiuçando todos os detalhes do momento.
E você pensa: E se morresse? E se vivesse? E se...?
Os gestos, os movimentos, a vida não faz sentido diante da morte,
O que existe é a sua soberania diante de corpos que por mais fortes que sejam,
Frágeis.
Um vai e vem de braços, pernas e mentes.
Nenhum grito,
Que é pra parecer forte,
O corpo treme sem controle,
O queixo rijo,
Os olhos cozidos...
Dentro de uma realidade que parece ter esvaído com a chuva e o retrovisor.
Os ouvidos mudos e surdos,
Os dedos e as dores somem.
Confusas, as vozes são verdadeiras rochas estremecidas na madrugada, sem postos de parada ou arregos,
E só depois se percebe que a vida ainda está ali,
Pronta pra se dar,
Então não morra.