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Pirações de uma pretinha.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Gosto!

Eu gosto de cada dobra do meu cabelo.
De cada meladinha da minha melanina.
Eu gosto do buraco que fura meu nariz.
Gosto!
Assim arregaçado!
Eu gosto da indomabilidade dos meus indomáveis cachos rebeldes, como eu.
Eu Gosto!
Vou gritando pelos quartos e cinturas dessa vida.
Eu gosto de mim meio você.
Eu gosto de ser assim.
Meio inteira,
Toda preta,
Toda texto.
Pra você ler!

Tristeza de Busú.

De todo o resto que se foi,
O que ficou foi silêncio.
Foram teus olhos pedindo perdão e socorro.
Na interminável distância dos dias,
Na insustentável leveza de si,
Das pessoas, dos dedos e das mãos,
Sobram teu cheiro.
E tua meiguice,
Teus cabelos,
E nós.
Te desejo e tanto,
E essa angústia?
Que me faz encher um peito,
De vazios, frios e saudades.
E não gosto do frio,
Que é onde sinto teus dedos,
Tocando-me a nuca,
Dizendo-me numa voz seca
E distante...
Adeus
E estás só.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Just do it


Existem coisas na vida, 
Nessas e em outra, 
Que devem ser feitas, sem respirar, 
Sem respirar pra que não se perca nada. 
Eu hoje fechei os olhos e perdi de tudo,
De tudo um pouco. 

Enquanto eu fecho os olhos,
Tantos vem e vão,
Abelha, carros, sertão,
Quantas pessoas morrem enquanto você dorme... 
Quantas oportunidades são moídas, enquanto você some. 

Quantas?


Não pare pra contar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tenha medo



Eu pensei em escrever um monte de gritos, 
De colocar em caixa alta toda a minha angústia, 
Letras garrafais de indignação e medo. 
Assumo aqui, 
Tenho medo do racismo, de racista, do olhar deles, 
Do riso entre dentes, amarelo, 
Eu assumo em público e gritando, 
Eu tenho medo de racista!
Tenho mesmo... 
Tenho medo de como eles nos aturam, 
De como nos estilizam, 
E tenho medo de como eles explodem com o nosso estilo.
Vim aqui para dizer desse medo, 
Medo de racismo velado, sem cara.
Quero explicar que tenho medo dos racistas camuflosos,
Os de Rio de Contas que beliscam, 
Racistas! 
E eu tenho medo, do medo que o racista tem, 
Medo de perder um lugar, uma situação... 
Mas mesmo assim, tô aqui para provocar!
Provocar o caos re modelativo das coisas. 
Disso não tenho medo, 
Tenho medo de talvez ficar no mesmo lugar, mesma cara.
Não darei nunca minha cara a tapa pra esses umbigos, 
Não darei. 
Tenho medo de ficar no mesmo, esse lugar. 
Um pouco de medo... 

Minha Mãe me ensinou, 
Que o bicho que mora  de baixo da cama, não pega. 
O bicho? Pega!
Olhei na cara do bicho,
E dei o maior tapa de todos.  
Olhei no fundo dos olhos dele, 

"Olhe esta neguinha." 

E tenha medo... 




terça-feira, 26 de abril de 2011

Ensaio sobre uma cegueira.




No dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Perdeu-se também metade do meu mundo. 
E apareceram então meias, 
Meias flores, meias cores, meias palavras, meios ardores. 
Esse mundo então ficou meio cinza, 
Ou preto, nem sei, 
Só sei que esse dia ficou então marcado. 
Como o dia branco, da mais neutra escuridão.
O dia negro. 
No dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Ficaram tolos todos os gestos, as lágrimas, os tons. 
Minha Mãe, braços estendidos, mãos a "ver" em minha direção... 
Seu toque grosso, endurecido, de quem nunca houvera, se quer uma vez visto com elas.
Meus olhos, que viam bem, no dia em que minha Mãe perdeu a visão, 
Ficaram cegos de amor.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tiros em "Columbine"





Depois de um dia de tiros, sangue e dor,
O que se pensa,
é ódio, fogo, inferno eterno...

Depois de anos de dor e sofrimento,
O que se enxerga é além do bem,
A frente do mal.

Depois de asas, anjos, demônios e caixões,
O que queremos é pureza, a certeza de que punições cheguem.

Depois de tanto nos observar,
A Vida,
pede perdão,
paz
e Amor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Biutiful.



Beleza, é ainda...
Um avião que finge,
Na distância,
Deveras,
Ser estrela.