Um dia lhe pisaram as pétalas
Quebraram teu caule e maltrataram sua raiz
As pétalas machucadas vingaram e cresceram como capim em terreno molhado.
O caule virou tronco, ficou forte e transformou-se em braço.
Ah! A raiz...
Essa fincou pé em solos distantes, distintos e foi ao centro da terra buscar o néctar da vida.
Encontrou gritos, escuridão e medo.
Ai daqueles que me apontam!
Somos negros, somos fortes, somos as vigas que outrora estiveram na base desta maldita pilastra. Ainda estamos.
Capazes de sacudir metade dessas plantações!
Quero apenas paz e não ter mais que chorar diante das minhas pétalas amassadas. Nesta estufa abafada.
Um dia vi todos em nosso jardim... Vasto e afro.
Mas uma mão rasteira feito erva daninha arrancou uma a uma.
Fomos parar em jarros que não os nossos.
Ai desta mão!
Por que vai começar a provar dos nossos espinhos.
E desta vez o jardineiro será diferente...
Siga-me!
Pirações de uma pretinha.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Filhas
Nasceram...
Filhas do vento
Vida – movimento
Filhas do sangue
Filhas da força matriz e motriz.
Filha-mãe.
Filha da vida
Filhas da dor
Filhas da cor
Filhas de Maria
Filhas da 5:00 horas, da manhã.
São filhas de Luzia, de Iaiá, de Lourdes...
Filhas do tempo
Filhas por si só
Filhas da chuva
Filhas de uma só causa
Filhas de mim, de você.
Filhas do ventre e do vento.
Filhas que não se cansam de renascer
Sempre.
Filhas do vento
Vida – movimento
Filhas do sangue
Filhas da força matriz e motriz.
Filha-mãe.
Filha da vida
Filhas da dor
Filhas da cor
Filhas de Maria
Filhas da 5:00 horas, da manhã.
São filhas de Luzia, de Iaiá, de Lourdes...
Filhas do tempo
Filhas por si só
Filhas da chuva
Filhas de uma só causa
Filhas de mim, de você.
Filhas do ventre e do vento.
Filhas que não se cansam de renascer
Sempre.
500
Tem quinhentos anos que estou aqui
Sobrevivendo.
Tem quinhentos anos que escrevo,
Tem quinhentos anos que construo,
Tem quinhentos anos que morro aos montes,
Tem quinhentos anos que nasço,
Tem quinhentos anos que renasço,
Tem quinhentos anos que vivo de margens,
Tem quinhentos anos que adoeço,
Tem quinhentos anos que o tempo passa,
Tem quinhentos anos que assim me encontro,
Tem quinhentos anos que eu grito!
Tem quinhentos anos que choro,
Tem quinhentos anos que vivo aqui e na lá.
E você sabe bem onde...
Tem quinhentos anos que estou aqui,
E você, vem dizer que não me vê?????
Sobrevivendo.
Tem quinhentos anos que escrevo,
Tem quinhentos anos que construo,
Tem quinhentos anos que morro aos montes,
Tem quinhentos anos que nasço,
Tem quinhentos anos que renasço,
Tem quinhentos anos que vivo de margens,
Tem quinhentos anos que adoeço,
Tem quinhentos anos que o tempo passa,
Tem quinhentos anos que assim me encontro,
Tem quinhentos anos que eu grito!
Tem quinhentos anos que choro,
Tem quinhentos anos que vivo aqui e na lá.
E você sabe bem onde...
Tem quinhentos anos que estou aqui,
E você, vem dizer que não me vê?????
Cor local
Qual é a sua cor local?
A cor da tua mágoa
A cor da cor
A cor da cidade
A cor da política
Qual é a tua cor local?
A cor do seu sotaque,
A cor do teu gozo
A cor do teu jeito e a do preconceito?
Qual é a tua cor local?
A cor do andar e do medo.
Qual é a tua cor local?
A cor da careta
A cor da dor
A cor do teu riso de criança
A cor da alma
A cor do segredo que não se conta
Qual é a tua cor local?
Pintei, com a tinta de pintar tristeza e vida.
Apaguei, com a borracha de apagar mentira.
A cor da tua mágoa
A cor da cor
A cor da cidade
A cor da política
Qual é a tua cor local?
A cor do seu sotaque,
A cor do teu gozo
A cor do teu jeito e a do preconceito?
Qual é a tua cor local?
A cor do andar e do medo.
Qual é a tua cor local?
A cor da careta
A cor da dor
A cor do teu riso de criança
A cor da alma
A cor do segredo que não se conta
Qual é a tua cor local?
Pintei, com a tinta de pintar tristeza e vida.
Apaguei, com a borracha de apagar mentira.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Passarinho
Voltei a ouvir as mesmas músicas
Voltei a sentir seu cheiro
É de você que falo quando penso no amanhã
É de sua voz que lembro quando aquele som aparece
É de teus olhos que preciso quando não sei onde parar
E as horas que gasto pensando em ti, todas elas conversam comigo pedindo.
“Voe, voe até ele”.
Voaria se o tempo não tivesse quebrado minha asa... voaria
Voaria agora se a chuva de meus olhos não fosse tão espessa
E não quisesse me manter embaixo desta árvore onde meu ninho está.
Não!
O ninho é seu peito e agora me sinto como um passarinho
Sinto-me idiota...
Sinto-me passarinho.
Quebre minhas asas outra vez.
Voltei a sentir seu cheiro
É de você que falo quando penso no amanhã
É de sua voz que lembro quando aquele som aparece
É de teus olhos que preciso quando não sei onde parar
E as horas que gasto pensando em ti, todas elas conversam comigo pedindo.
“Voe, voe até ele”.
Voaria se o tempo não tivesse quebrado minha asa... voaria
Voaria agora se a chuva de meus olhos não fosse tão espessa
E não quisesse me manter embaixo desta árvore onde meu ninho está.
Não!
O ninho é seu peito e agora me sinto como um passarinho
Sinto-me idiota...
Sinto-me passarinho.
Quebre minhas asas outra vez.
Portas
Que poder tem as portas?
Perguntei um dia e então alguém me disse:
- Muitos
Porta abre.
Esperanças, oportunidades, surpresas, ansiedades...
Porta fecha.
Despedidas, raiva, medos, dor, ódios...
Ontem fechei as portas para o medo e abri para as oportunidades.
Tive medo de abrir para as surpresas, mas fechei duas portas para as despedidas.
E tudo se foi.
Hoje fico a trás da porta esperando A oportunidade bater, hoje, ela já bateu eu não vi.
Ela pulou a janela!
Que poder tem as janelas?
Perguntei um dia e então alguém me disse:
Aí é outra história...
Perguntei um dia e então alguém me disse:
- Muitos
Porta abre.
Esperanças, oportunidades, surpresas, ansiedades...
Porta fecha.
Despedidas, raiva, medos, dor, ódios...
Ontem fechei as portas para o medo e abri para as oportunidades.
Tive medo de abrir para as surpresas, mas fechei duas portas para as despedidas.
E tudo se foi.
Hoje fico a trás da porta esperando A oportunidade bater, hoje, ela já bateu eu não vi.
Ela pulou a janela!
Que poder tem as janelas?
Perguntei um dia e então alguém me disse:
Aí é outra história...
Mulher
Tiraram-me o batom
Bateram-me na face e gritaram: sambe!
Cabelo de mulher é cumprido
Saia justa nem pensar!
Prende a saia na canela!
Queima o soutien!
Como é que se escreve sobre mulher?
Com flor, pétalas e carmim?
Com gotinhas de sangue, sorrisos, lágrimas, noites mal dormidas, com filhinhos endiabrados e ingratos.
Mulher... Bichinho estranho.
Vou parir um verbo especial e oferecer-lhe MULHER!
Um verbo que te tire a dor de padecer sem paraísos.
Bateram-me na face e gritaram: sambe!
Cabelo de mulher é cumprido
Saia justa nem pensar!
Prende a saia na canela!
Queima o soutien!
Como é que se escreve sobre mulher?
Com flor, pétalas e carmim?
Com gotinhas de sangue, sorrisos, lágrimas, noites mal dormidas, com filhinhos endiabrados e ingratos.
Mulher... Bichinho estranho.
Vou parir um verbo especial e oferecer-lhe MULHER!
Um verbo que te tire a dor de padecer sem paraísos.
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